15 de março de 2011

Enquanto isso na emergência...

3 capítulos de algum filme que passava no Corujão da Globo, aproximadamente 30 minutos. Esse foi o tempo que fiquei esperando pra ser atendida na Emergência - sim, EMERGÊNCIA - do Hospital Salvador.  Enquanto a recepcionista, uma enfermeira e dois acompanhantes se divertiam assistindo ao filme, eu esperava pacientemente no outro canto da sala. 

Senhora Carolina Magalhães. Lá vou eu pensando "finalmente..."entrar na sala do médico. Médico? Que médico? Me colocaram com um enfermeiro ou residente - nada contra eles - pra saber o que eu tinha. Tirou minha pressão, viu se eu estava com febre, perguntou novamente os sintomas e então: "a senhora pode esperar lá fora que a médica vai te chamar". Com minha cara de paisagem voltei para a sala de espera onde aquelas mesmas pessoas estavam a rir do filme da madrugada. 

Após quase 10 minutos fui chamada pela "real" médica que perguntou novamente tudo o que eu já tinha respondido para a enfermeira/residente. Até agora me pergunto para que aquela ante-consulta. O que está acontecendo com os médicos hoje em dia? Eles evitam tocar no paciente e apenas analisa sua dor sem alguma aproximação. Ela fez o mesmo. Me receitou meia dúzia de remédios e me mandou esperar (mais uma vez esperar) na cadeirinha ali do lado. 

3 capítulos de CSI New York, aproximadamente 25 minutos. Esse foi o tempo que fiquei esperando a enfermeira aparecer pra aplicar meus remédios. Daí então pela primeira vez fiquei espantada com a pobreza de materiais do Hospital. Ela enrolou meu braço com uma luva descartável - "estamos sem a borrachinha..." - procurou minha veia e aplicou. Não satisfeita com aquela pobreza, ela quis economizar no algodão e segurou a agulha com o acesso com as mãos, colocou aquele esparadrapo (aquele que leva todos os seus pêlos embora quando sai) e me disse: "você já está de alta, quando se sentir melhor e quiser pode ir embora". 

PÁRA TUDO! Uma enfermeira me disse isso. Que eu saiba eu teria que ficar em observação. Bom, esperei 20 minutos e resolvi ir embora antes que algo de pior acontecesse. Cadê a enfermeira? Era possível ouvir o silêncio de uma emergência hospitalar. Eu estava sozinha, sem nenhum paciente nos leitos, sem nenhum enfermeiro por perto. Se eu gritasse ouvia-se até o eco...co...co...o..o..o... Foi se achar ela no outro lado do Hospital, batendo um papo com a galera do pernoite.

E lá veio ela - na maldade - retirando aquele esparadrapo do meu braço e levando todos os pêlos dele. "O que tira isso é éter, mas estamos sem... só temos álcool" foi o que a bonitinha me disse. Meu Deus, um Hospital particular sem éter, imagine o HGE! Antes que ela pudesse me dar tchau, segui em direção à saída o mais depressa possível.

Ah, vale ressaltar que eu era a única paciente da emergência nessa noite. Imagine em dias de grande movimento como não deve ser!

9 de março de 2011

We Are Carnaval

obs.: Começar um texto já com observações é um pouco estranho mas, como é difícil falar pouco do Carnaval de Salvador. 

"Agora que nós somos dois amantes, cinzas... Agora que o carnaval passou..."
(Arnaldo Antunes / Carlinhos Brown)

E para os muitos que esperam 359 dias pra chegar o carnaval, mais uma vez ele foi embora deixando saudades em apenas 6 dias. Que festa é essa que prende a atenção e provoca euforia no povo?

A expectativa para o próximo já começa ao final do carnaval desse ano: "po**a, ano que vem vou sair de que?"- no mais popular linguajar baiano. E na semana que antecede você já se sente no carnaval. Quer sair cedo do trabalho pra aproveitar os amigos que estão no Porto pegando aquele bronze e apreciando o por do sol, no som do carro não para de tocar aquela música do verão... aquela que toca e repete, repete e toca. Seus programas preferidos são os esquentes do carnaval e ensaios de segunda a segunda. Passa pelos circuitos e pouco tá ligando para o engarrafamento provocado pela montagem dos grandes camarotes, afinal, são os preparativos para o carnaval. 

E então começa a agonia, digo, a festa! Todos preparados para começar a jornada dos seis dias: shortinho, bermudinha, documentos e dinheiro escondidos - muito bem escondidos - amigos, amigos, amigos e disposição. Sinto inveja daqueles que conseguem se divertir do primeiro ao último dia e até se jogar no arrastão da quarta-feira de cinzas. E de onde sai e entra tanta gente em apenas seis dias? Carnaval de Salvador é a verdadeira passarela da última, penúltima, antiga e nova tendência! Vamos rir. As figuras mais loucas, engraçadas e estranhas que existem no mundo se juntam no carnaval de Salvador. 

É uma mistura invejável... ásia, américa, áfrica, europa - eles se resumem em Salvador. E como se não bastasse eles se virarem pra aprender o básico português, ainda tem que se bater com o bendito baianês. Acredita que esse ano era possível comprar 4 piriguetes por apenas R$5? Calma, calma. Essas "piris" são as cervejinhas em lata. As micro cervejas, como queiram chamar.

E nem tudo são flores. Para os que não conhecem e acham que aqui tudo é festa, é no carnaval de Salvador que mais da metade da população soteropolitana mais trabalha. Baleiro, de isopor na cabeça, com a família na avenida, vendendo acarajé, churrasquinho de gato, varrendo as ruas, cordeiros, auxiliares de tudo quanto é coisa, catadores de latinha, vendedor de cachorro quente, mais catadores de latinhas e cordeiros... guardadores de carro... ufa, tem mais? promotores de merchandising, recepcionistas de camarotes, segurança, apoiadores, organizadores, puxadores de trio, motoristas, cantores, tocadores, vendedor de picolé, radialista, jornalista... opa, mais um catador de latinha aqui. Enfim. Trabalho é o que não falta no carnaval. 

A cidade, os habitantes e os turistas se transformam. O calor aumenta, a agitação toma conta do corpo e até quem prefere não estar na avenida, é tomado pela energia. Passaria horas tentando resumir ou relatar o carnaval de Salvador, mas acredito que seja algo indescritível. Portanto, sintam-se convidados. Faltam apenas 365 dias para o maior carnaval do mundo.

"Me perdoe Brasil, mas não há igual: é na Bahia o melhor Carnaval..." (Timbalada)





Ah! E as filas do ferry e da lancha rápida de Mar Grande? Bom, melhor deixá-las para outras postagens.