25 de agosto de 2010

Tem pra quem quer

Ei, tá fazendo o que aí? Levanta daí seu Anjo. Que mania que você tem de querer mudar esse mundo e quem vive nele. Que mania. Agora também não adianta ficar aí nesse canto, escondido do mundo. Vamos, me dá a mão. Levanta. Nem venha me dizer que falhou na missão. Entenda uma coisa: não é todo mundo que quer um anjo por perto. As vezes elas nem sabem que são anjos, apenas deixam a gente sair de suas vidas e quando percebem, já partimos. Chegou sua hora de seguir o caminho. 

Não, não. Nem se preocupe quanto a isso. Ficará bem sem você por perto. Tenha certeza. Não tem "mas" certo! Já te disse que é melhor seguir seu caminho. Mas que Anjo teimoso. Por causa dessa teimosia que tanto sofreu na missão desse mundo. Não sabe o que é certo e errado? Aposto que sabe, mas não aprende não é mesmo. 

Sei que fez tudo que pôde. Que influenciou, que tentou, que ajudou diretamente e indiretamente. Até o mais desligado habitante daqui sabe. Mas como ajudar alguém que não quer ser ajudado? Pelo menos por você, Anjo. A gente pode querer muita coisa, mas não pode ter tudo. Por isso, vá correr atrás de quem queira você por perto. Vamos, animação. 1, 2, 3 isso! Cadê aquele sorriso? 

Ei, já consigo ver. Ali, logo ali. Não me diga que não está vendo! Está bem ali na sua frente. Tem mais de um, são dois. Na verdade são tantos. 

Tanta gente precisa de você por perto. 

15 de agosto de 2010

Interior

Lá estava. No canto. Resolveu sumir por um tempo. Pequeno tempo diga-se de passagem. Mas que deu pra notar. Se recolheu em algum lugar - talvez seu interior, talvez interior do seu quarto ou do quarto vizinho - e permaneceu quieta por um tempo. Se deslocava apenas para as atividades do dia a dia, as quais não eram possíveis se realizar do seu interior. Ora reclamava de ter que ouvir reclamações. Ora reclamava de ter andado por caminhos difíceis. Ora reclamava de algo que doía e incomodava. Ora chorava. Ora desabafava com palavras soltas por aí. Poucos entendiam.

Na verdade nem ela mesmo entendia o que estava acontecendo. Mas aquela reclusão lhe parecia necessária. Sabia que o tempo era preciso. Acho que o tempo nunca passou tão lento por ali. Sabia que iria passar. Talvez tivesse vontade de ligar pra alguém, de chorar pra alguém. Vontade que alguém te fizesse rir. Talvez tivesse saudades de um tempo ou de outro. Talvez. Mas talvez não.

Lá estava. E pensou: hoje ainda é ilusão, amanhã é realidade. No canto - adormeceu.

"Ohana means family and family means no one gets left behind... or forgoten."

12 de agosto de 2010

Saudade tem gosto.

Tomando sorvete de ameixa senti gosto de saudade. E saudade tem gosto? Ameixa tem gosto de minha vó, de minha véa Lurda. Na hora só me veio ela sentada de pernas cruzadas, no sofá de um lugar lá da sala, com seu vestidinho estampado azul, prato inox na mão comendo ameixa na merenda das 15h.

Saudades tem gosto! Saudades de minha vó tem gosto de melão. Acordar no meio da tarde e comer melão cortadinho. Eu e ela. Aí dá saudade de muita coisa. Passos no corredor no meio da noite, risadas das loucuras de uma idosa esclerosada, das brigas. Saudades dela.

Algodão doce tem gosto de Campomar. Olhinhos de criança brilhando ao ver aquele rapaz passando com vários pendurados. E meu pai dizia: "lá vem o vício dela... menina, o cara sopra aí dentro pra encher esse saco..."! E quem se preocupava? Saudade tem gosto de Algodão Doce.

Tô no tempo da saudade.
É o mundo dando voltas.