Você não vai não? Nove horas já! Levanta-se correndo e se arruma pra ver o Cortejo - é dia do Senhor do Bonfim. Ela já estava sentada na cadeira da sala, toda de branco, esperando mãe e filha pra poder ir. Isopor de um lado, cadeirinha do outro, sorriso no rosto e claro, dando pressa. O Cortejo já vai passar, veja os fogos.
Era de branco que se ia. A ladeira da Água Brusca ficava movimentada com o sobe e desce dos devotos e dos ambulantes. O espaço já estava reservado e no muro instalava-se o isopor e a cadeirinha. Olhe, as baianas... "Ah eu vim de Ilha de Maré minha Senhora, pra fazer samba na lavagem do Bonfim..." todas em coro e regadas a agogô, atabaques, palmas, cachaça e os jarros com água pra lavar a Escadaria.
Lá vem ele todo de branco, beijo na testa, segue seu caminho. Vai até à Colina Sagrada, longa caminhada - só volta de noite, bem de noite. Agora é a vez dos jegues, completamente enfeitados divertindo a todos quando passava. Bira do Jegue. Zé do Jegue. João do Jegue. Tinha jegue pra todo mundo - e não é que esse ano conseguiram impedir os pobres dos jegues irem até a Colina Sagrada?
Sei que era coisa de no máximo uma hora. Mas pense que era bom. Me fazia bem. Me faz bem apesar de não poder mais sentar no muro, com isopor e cadeirinha. Hoje tenho que certeza que ela está de branco. Hoje eu estou de branco. E entre o sagrado e o profano, meu pai Oxalá Senhor do Bonfim continua a nos proteger.
Festa do Bonfim traz lembranças. Dá saudades.
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